segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Igreja Católica e o Desenvolvimento Sustentável

Deixo-vos aqui o resumo do artigo que foi aceite para publicação, no 1º semestre de 2010, na revista brasileira de Ciências da Religião - História e Sociedade, intitulado "A Igreja Católica e o Desenvolvimento Sustentável".

A Igreja Católica e o Desenvolvimento Sustentável

Valdemar J. Rodrigues*

Resumo

Definitivamente, o catolicismo tem algo a dizer sobre a sustentabilidade e o modo de vida ecológico. Durante cerca de um século, a Igreja Católica amadureceu as suas próprias ideias sobre a ecologia e o desenvolvimento humano, através de um processo profundo de assimilação e (re)interpretação, face à sua doutrina, das principais preocupações e perspectivas ambientalistas de preservação de um planeta ecologicamente sustentável. Se o ambientalismo dominante no Ocidente cunhou o conceito prevalecente de desenvolvimento sustentável, um conceito algo sinuoso que significa coisas diferentes para pessoas diferentes em contextos diferentes, a Igreja Católica respondeu ao desafio com a ideia clara e consistente de desenvolvimento humano integral, que significa o desenvolvimento «de todo o homem e do homem todo». Este artigo examina as razões possíveis de uma não adesão do catolicismo às teorias dominantes sobre o desenvolvimento sustentável, advogando que o desenvolvimento humano integral é de facto o desenvolvimento sustentável devidamente revisto à luz da tradição humanista cristã. Entre outras coisas, este resultado põe em evidência a estreita relação que existe para a Igreja Católica entre espiritualidade e sustentabilidade. De facto muitas tradições religiosas, sejam ou não indígenas ou animistas, têm uma certa propensão para a protecção do ambiente e a conservação da natureza. Em particular as cristãs, dada a crença que têm na imanência do Criador em todas as coisas criadas. Além do mais, a Igreja Católica possui um valioso património de conhecimento prático sobre o modo de vida ecológico, ainda acessível em muitos mosteiros e conventos espalhados um pouco por todo o mundo. Não existe nenhuma razão óbvia para que sejam desprezados estes contributos do catolicismo para a sustentabilidade, ou para que se ignore o conceito de desenvolvimento humano integral sempre que o desenvolvimento sustentável estiver sob escrutínio.

Palavras-chave: catolicismo, ecologia, desenvolvimento, desenvolvimento sustentável, desenvolvimento humano integral
Abstract

Catholicism has definitely something to say about sustainability and ecological living. For about a century, Catholic Church has matured its own ideas about ecology and human development, through a deep process of assimilation and (re)interpretation, in view of its doctrine, of the environmentalist concerns and prospects for the preservation of an ecologically sustainable planet. If dominant Western environmentalism has coined the prevailing concept of sustainable development, a rather sinuous concept that means different things to different people in different contexts, Catholic Church has responded to the challenge with a very clear and consistent idea of integral human development, which means the development «of every man and of the whole man». This paper examines the possible reasons of such non-adherence of Catholicism to the prevailing theories about sustainable development, and advocates that “integral human development” is in fact sustainable development adequately reviewed at the light of Christian humanist tradition. Amongst other things, such result emphasizes the close relation that exists for Catholic Church between spirituality and sustainability. In fact many religious traditions, whether or not indigenous or animist, have a certain propensity towards environmental protection and nature conservation. Christians in particular, given their belief in immanence of the Creator in all created things. Besides, Catholic Church possesses a valuable patrimony of practical knowledge about ecological living, still accessible in many monasteries and convents worldwide. There is no obvious reason to neglect these contributions of Catholicism to sustainability, as well as to ignore the concept of integral human development whenever sustainable development is under scrutiny.

Keywords: Catholicism, ecology, development, sustainable development, integral human development

*Professor Auxiliar da Faculdade de Engenharia e Ciências Naturais da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa. Campo Grande, 376, 1749 - 024 Lisboa – Portugal; Tel. ++351-21-751 55 00; e-mail: vjrodrigues65@sapo.pt

A citação deste artigo, que pode ser integralmente descarregado aqui, é a seguinte:

Rodrigues, V.J. (2010) - A Igreja Católica e o Desenvolvimento Sustentável.Rev. Ciências da Religião - História e Sociedade, Vol. 8, No. 1: 198-233.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sessão de Apresentação dos Mestrados da Faculdade de Engenharia e Ciências Naturais da ULHT

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PME sustentáveis, como?

Foi procurando responder a esta questão algo difícil nos dias que correm que fiz um artigo com o mesmo título e que foi publicado na Revista Qualidade, da APQ - Associação Portuguesa da Qualidade e que, por isso, recomendo que adquiram. O artigo inclui uma análise SWOT das PME nacionais (e não só) em face do objectivo do desenvolvimento sustentável, bem como um conjunto de seis linhas de orientação para as PME nessa perspectiva. O artigo integral pode ser descarregado aqui.

Citação:

Rodrigues, V.J. (2009) – PME sustentáveis, como? Revista Qualidade, Ano XXXVIII, nº 2 (Verão de 2009): p. 25-29.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

E N C O N T R O Desenvolvimento Sustentável – Perspectivas Críticas, IPQ, 29 de Junho de 2009

(carregue sobre a imagem para ampliar)

Fui convidado para participar, no próximo dia 29 de Junho de 2009, num interessantissimo encontro sobre Empresas e Desenvolvimento Sustentável, que irá decorrer na sede do Instituto Português da Qualidade (Monte da Caparica) e em cuja organização está presente um meu brilhante ex-aluno, o Engº Diogo Real, actualmente pertencente aos quadros da QTEL, uma empresa do sector da Qualidade. Aceitei com muito gosto o convite, pois ando há algum tempo a preparar um pequeno texto sobre Empresas Sustentáveis que agora aproveito para finalizar. O texto, intitulado "Empresas sustentáveis: uma reflexão" pode ser descarregado aqui. A Citação deste artigo é a seguinte:

Rodrigues, V. J. (2009) - Empresas sustentáveis: uma reflexão crítica. Encontro Desenvolvimento sustentável - perspectivas críticas. Lisboa, Instituto Português da Qualidade, 29 de Junho de 2009.


sábado, 30 de maio de 2009

X Congresso Nacional de Engenharia do Anbiente

Carregar sobre a imagem para obter mais informações sobre este Congresso, de cuja Comissão Científica faço parte em nome da Universidade Lusófona. A Universidade Lusófona, tal como podem ler aqui, foi a primeira universidade privada em Portuhgal a lançar um Curso de Licenciatura em Engenharia do Ambiente, sucedendo assim às Universidades públicas de Aveiro e Nova de Lisboa. Tal aconteceu em 1993, É para mim uma honra poder participar neste Congresso, de há vários anos aquele que melhor sintetiza em Portugal a actividade profissional dos Engenheiros do Ambiente. Tive oportunidade de publicar vários trabalhos em Actas deste Congresso, inicialmente designado "Congresso Nacional dos Engenheiros do Ambiente". Saúdo ainda neste X CNEA a tomada de consciência da APEA para a necessária dimensão lusófona da nossa Engenharia Ambiental, espaço fértil para a aprendizagem mútua e para a partilha de experiências genuínas sobre a relação entre a cultura humana e a sustentabilidade. Haja humildade para fazê-lo; a humildade de estudar e conhecer; a humildade de aceitar que a "luz" não nasce (apenas) a Ocidente, que existem soluções para além das puramente "técnicas"; que na sustentabilidade o ambiente e as pessoas são as faces de uma mesma moeda e portanto realidades indissociáveis. Há que sentir o chão e as gentes que o pisam para podermos tocar um dia no coração das coisas. Tudo o mais são histórias de dominação e de violência.

Os temas em destaque deste X Congresso são:

Política Ambiental no Espaço Lusófono,
Projectos Lusófonos de Engenharia do Ambiente,
TIC Aplicadas à Engenharia do Ambiente,
TIC na gestão da sustentabilidade,
TIC nos sectores das águas e dos resíduos,
TIC nos sectores do ar, energia e alterações climáticas.

Convido-vos pois a todos a participarem.