terça-feira, 26 de maio de 2026

«Bufos de si mesmos, agradecidos, entregues à acomodação pachorrenta, brindando essa ganância de referências passadas que não aquecem nem arrefecem o nosso sonambulismo civil» - 0

Vou deixar que o Diogo Vaz Pinto, uma pérola rara da cultura desta unidade de exploração .pt.. para não dizer da cultura EUpeia... pois o meu desejo era que em toda a unidade de exploração da EUpa houvesse pelo menos um Diogo Vaz Pinto... alguém capaz de manter no mundo a esperança na palavra e no mundo.. e não numa ou no outro consoante a "eminência" da "atividade" do sujeito passivo (!) ... esperança de a linguagem humana continuar a acrescentar alguma coisa ao mundo... e não simplesmente a afirmá-lo redondamente como se estivesse a cimentá-lo... o absurdo mapa à escala 1:1 do Borges... mundo em que quase quase tod@s estivéssemos condenad@s à morte mais bem informada (!) de toda a história humana... enfim... o velho sonho histórico realizado sem volta a dar... a revolta de Lindalino tornada impossível graças ao magnifico trabalho da propaganda e do "elevador social" da escolinha dita "superior"... realizado sob o alto comando do guardião do mistério da fé monetária...e sim... sim... para desgosto das tias e das mais altas patentes... correndo o risco mais que corrido de nunca ter sido ou existido... (aquele desassossegado desejo do Bernardo Soares realizado)... vou deixar que o Diogo Vaz Pinto abra aqui neste meu espaço-testamento ântumo à humanidade que sobrar (!!)... ums série que denominarei sem prolixidade com as suas certeiras e indispensáveis palavras, como estão no título deste "poste" e volto a "postar": 

«Bufos de si mesmos, agradecidos, entregues à acomodação pachorrenta, brindando essa ganância de referências passadas que não aquecem nem arrefecem o nosso sonambulismo civil». 

Aos "vultos" da "cultura" e da "inteletualidade" da unidade de exploração .pt que, segundo eu (!), se ajustam na perfeição ao "conceito" do Diogo, só terei que apontar nomes...  o que é rápido e... até ver... para os vivos que nunca "nasceram" (!)... bastante inexpensivo (!!)...



sábado, 23 de maio de 2026

Perguntas repelentes XC - Já reparaste para que serve a propaganda "boa" ou "má" à qual diariamente te expões...

 ... ou será que ainda não... que ainda esperas todos os dias pela "notícia da tua vida", por aquela "notícia" de algo verdadeiramente novo que te enche de esperança... por aquela onde apareces finalmente feliz e ralizad@... como quem diz... "finalmente aconteceu o que eu desejava que acontecesse!"?

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Leituras do tempo DCCCIX – «Fábrica de conformistas: como a universidade trocou o pensamento pelo mercado»...

... É um artigo do qual tive conhecimento aqui, onde repesquei os parágrafos abaixo, e que chega às "massas inteletuais" muito deveras bué tardíssimo (!), pela pena do professor Domingos Caeiro, pessoa que, pelos vistos, se mantém até hoje "ativo" na "fábrica de conformistas" da UAb, onde foi, entre outras coisas, vice-reitor para o "processo da Bolonhesa"; pessoa de vastos interesses científicos, embora de escassa, para não dizer nula, produção científica em inglês, considerada a "língua universal da sciência"... usada pelos melhores "fabricantes de conformistas" do mundo... sendo pois algo a elogiar... e especialista "ativo" em domínios tão íngremes como políticas públicas e educativas, sociologia das organizações educativas, comunicação educativa e ensino à distância, sociologia histórica, história contemporânea, história política, migrações e emigração portuguesa. Eu, moi-même, euzinho que mandei à fava a "fábrica de conformistas" onde estive 16 anos... (a outra para onde fui depois mandou-me a mim à fava em 2023, seis anos depois de ir para lá,  talvez por eu ser como sou, e dizer o que tenho a dizer nos locais certos, e não aceitar, como o "colega" Caeiro não aceita, tratar os alunos como se fossem "clientes" da escola... como eles por lá fazem... desde logo porque cliente bom pagador tem sempre razão e o aluno... tal como o "prófe"... nem sempre a têm)... bom... não vou dizer mais e vou passar aos excertos do prof. Caeiro... que me parecem muitos certos apesar dos erros (!) mas muito tardiamente publicados... ainda por cima num"reference journal" como o "Espesso"... o que talvez queira dizer que o artigo vem mesmo a calhar... "quica" para ajudar a espoletar uma pequena mega-purga (!) de "fabricantes de conformistas" com vínculo mais precário ou inexistente... dado o colossal aperto financeiro em que boa parte  da "indústria" hoje se encontra...

"O paradoxo é desconcertante: nunca a democracia esteve tão ameaçada, e nunca as universidades estiveram tão silenciosas. 

Habermas já tinha identificado este fenómeno com precisão — estudantes e professores, historicamente portadores de inquietude intelectual, mantêm hoje uma passividade que não é meditação reflexiva, mas capitulação tácita perante uma ordem de coisas que, há três décadas, teria provocado indignação coletiva. Não assistimos a uma crise circunstancial; testemunhamos a metamorfose profunda da academia numa entidade que já não reconhece as próprias origens. A universidade contemporânea sofre aquilo que Habermas designou como colonização do mundo-da-vida pelo sistema.

Imperativos económicos e burocráticos invadiram esferas que operavam segundo lógicas comunicativas e éticas, transformando a instituição numa empresa prestadora de serviços educativos. A linguagem tornou-se reveladora: estudantes transformaram-se em "clientes"; programas de estudo, em "produtos"; investigação, em "transferência de conhecimento"; pensamento crítico, em "competências transversais". 

Bill Readings (Universidade em Ruínas,1996) dissecou esta reconfiguração: a cultura cede lugar ao discurso da "excelência", conceito cuja genialidade perversa reside na vacuidade semântica. Não possui referente externo nem conteúdo interno; todos concordam com a sua necessidade porque não significa rigorosamente nada. Serve apenas como denominador administrativo que permite quantificar o inquantificável, auditar o que não deveria ser auditável. 

Pensamos através da linguagem. E quando o nosso próprio uso linguístico é corrompido pelo discurso dominante, a ideologia que tudo é um mercado torna-se reinscrita nas práticas quotidianas, operando ao nível mais fundamental da consciência. 

A universidade não foi conquistada de fora para dentro; foi colonizada de dentro para fora, pela adoção voluntária de uma gramática que lhe é estranha. O projeto tem êxito notável: a universidade neoliberal não falha em educar. Produz exatamente a subjetividade de que o capitalismo financeirizado necessita. Se a lógica sistémica mina o terreno do mundo-da-vida, o resultado é um sistema que fabrica sujeitos neoliberais perfeitamente ajustados: indivíduos hipercompetitivos, perpetuamente endividados, obcecados com métricas quantificáveis, incapazes de valorizar o que não pode ser monetizado, desinteressados de solidariedades coletivas não instrumentais. 

Consideremos a trajetória típica do estudante contemporâneo. Inicia endividado, encarando a educação como investimento em "capital humano"— redução do ser humano a ativo económico. Durante o percurso, é permanentemente avaliado, classificado, ordenado em rankings. É levado a aprender que importa ter bom desempenho em avaliações padronizadas, não é necessário compreender profundamente. Descobre que perguntas incómodas prejudicam classificações; reproduzir acriticamente garante sucesso. Observa docentes precários dedicando energias desproporcionadas a relatórios burocráticos, formulários de auditoria, candidaturas a financiamento, tarefas que nada têm com ensino substantivo. Ao concluir, não emerge como cidadão crítico, mas como unidade produtiva ansiosa, ajustada à precariedade que o mercado impõe. 

A universidade cumpriu a função reformulada — mas deixou de ser universidade.  

O conformismo não atinge apenas estudantes. O corpo docente, que historicamente constituiu reserva de pensamento crítico — desde o affaire Dreyfus até Maio de 1968 —, viu esse papel dissolver-se progressivamente. O académico contemporâneo encontra-se capturado numa rede de constrangimentos que lhe reduz o espaço de intervenção pública a quase nada.  

A precarização representa o primeiro vetor (e a proposta de Lei Laboral não é o exemplo): proporção crescente do ensino é assegurada por docentes em situação precária: contratos a termo, bolseiros, assistentes convidados. Estes compreendem que expressar posições controversas pode significar não renovação de contrato. Mas mesmo os académicos com vínculos estáveis enfrentam pressões sistemáticas. Os regimes obsessivos (por vezes autocráticos) de avaliação tornaram-se mecanismos de disciplinamento subtil mas eficaz. A carreira depende exclusivamente de métricas quantificáveis: artigos publicados, citações recebidas, financiamento captado. Estas métricas não medem qualidade intelectual genuína, simulam essa medição através de indicadores que se tornaram fins em si mesmos. 

O resultado é um corpo docente exausto, administrando obsessivamente a "marca académica", envolvido em jogos estratégicos de publicação — o menor artigo publicável, os tópicos com maior potencial de citação —, com cada vez menos tempo para a reflexão demorada, inovadora e arriscada que caracteriza o pensamento crítico transformador. 

A própria natureza do trabalho intelectual foi reconfigurada. O conhecimento universitário é concebido como "inovação" ao serviço da "economia do conhecimento". As ciências sociais e humanas, que cumpriam função crítica sobre a sociedade, são progressivamente marginalizadas, subfinanciadas, consideradas "improdutivas" porque não geram patentes comercializáveis. Esta marginalização não é acidental. 

Uma universidade orientada para força de trabalho qualificada e conhecimento “comercializável” não necessita de historiadores que questionem narrativas, sociólogos que analisem dominação, filósofos que interroguem os fundamentos éticos do sistema. Necessita de engenheiros, gestores e técnicos; certamente que serão profissionais competentes, mas, maioritariamente, desprovidos de ferramentas para pensar o sistema como totalidade 

A esfera pública universitária, que Habermas identificou como espaço privilegiado de debate racional-crítico, foi sistematicamente corroída. A autonomia tornou-se fictícia quando o financiamento provém de fontes com agendas específicas ou é atribuído segundo lógicas competitivas que privilegiam o "impacto económico". 

O tempo livre desapareceu sob avalanche administrativa. A comunidade fragmentou-se numa hierarquia rígida de contratos e precariedade. O ethos argumentativo cedeu a lógicas gestionárias onde as decisões são tomadas por “gestores” segundo critérios de eficiência económica. 

Desapareceram também os espaços informais — cafés universitários, corredores, bibliotecas como locais de encontro — onde o pensamento crítico coletivo se formava. 

Estudantes correm entre aulas e empregos precários, sem tempo para o ócio produtivo. Professores trabalham isolados, interagindo por correio eletrónico e plataformas digitais. As reuniões tornaram-se sessões de gestão burocrática (...).

Assistimos a uma geração sem horizonte de utopia. Acresce que a linguagem da contestação se tornou problemática. As grandes narrativas emancipatórias perderam credibilidade com a erosão das democracias e a integração da social-democracia no consenso neoliberal (...). A questão transcende largamente o âmbito académico: conseguirá a sociedade democrática sobreviver quando as instituições responsáveis pela formação de cidadãos críticos se transformaram em fábricas de sujeitos neoliberais? 

A universidade silenciosa não representa apenas um problema educativo, constitui sintoma de uma patologia democrática profunda (...). O que se reclama não é a restauração de um tempo que não existiu plenamente, mas a recuperação de uma função: a de espaço onde o pensamento pode ser livre, onde a crítica não tem preço, onde o futuro não é apenas gerido, mas imaginado. Enquanto a universidade não se reconhecer a si própria, enquanto não perceber que a sua crise não é orçamental, mas ontológica, o prognóstico, na ausência de intervenção radical, permanece profundamente inquietante para o futuro das nossas democracias."

domingo, 17 de maio de 2026

Sínteses XXXI - O problema-paradoxo da "moral moderna"... laica ou científica...

 ... mostra que ela tende para uma moral extremada... e veja-se mais um exemplo: o da linguagem. Por um lado a linguagem é sumamente importante, pois o mundo e a descrição dele confundem-se - os actuais "polígrafos de notícias" não são "verificadores de factos", "fact-checkers" como tão falsamente se apresentam quando não passam de meros verificadores de "informação sobre factos". Uma coisa é o facto e outra bem diferente a informação sobre ele. Da mesma maneira o retrato da pessoa e a pessoa não são a mesma coisa, o que devia ser evidente se as sociedades históricas não tivessem sido mergulhadas no mundo da informação - que une tecnologia, propaganda (incluindo a especializada ou científica) e o "querido" sistema financeiro global do mefistofélico dinheiro-informação, agora já sem o "mediador físico" do qual ainda podia desconfiar-se (quem poderá negar que o 100 que aparece no ecrã vale mesmo 100? Só um louco talvez...). Por um lado a linguagem é de suma importância... mas por outro não vale um chavelho se estiver completamente desligada da realidade. O observador suficientemente afastado percebe os extremos: de um lado os especialistas que tentam substituir a realidade por palavras, números e modelos matemáticos e, do outro, os não especialistas (que os especialistas de certa forma também são fora das suas áreas de especialidade) que tentam substituir por realidade as palavras, números e modelos matemáticos. cada um a seu modo contribuindo para o mesmo silêncio da linguagem... 

sábado, 16 de maio de 2026

Síntese Trigésima - Evangelho segundo José Mário Branco, devidamente "atualizado" para o tempo histórico "atual" (as "atualizações" estão entre os parênteses "retos")...

[...]

Entretém-te, filho, e vai para a cama descansado

Que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante
Enquanto tu adormeces a não pensar em nada

Milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos
Vão te convencer de que a culpa é tua
E tu sem culpa nenhuma, tás tu a ver?
Que tens tu a ver com isso, não é filho?
Cada um que se vá safando como puder, 
é mesmo assim! Não é?

Tu fazes como os outros... fazes o que tens a fazer...
Votas à esquerda moderada nas [municipais]
Votas [na direita moderada] nas deputais
E votas [no centro moderado] nas presidenciais!
Que mais querem eles?
Que lhe ofereças a Europa no natal?!
[...]

FMI, José Mário Branco, 1982 - Fonte: aqui
Vídeo da canção original: aqui
(O texto entre parênteses é "atualizado" nosso)

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Perguntas repelentes LXXXIX - Se havendo, como sempre houve, economias de "soma negativa" e de "soma zero" ou seja... simplificadoramente (!)... terroristas ladrões e corruptos...

 ... gente destruidora de riqueza e gente que se limita a desviá-la de umas mãos para outras... e se modernamente veio a haver esse desavergonhado dinheiro-informação que para benefício de alguns a si próprio se destrói... se modernamente sempre houve... e continua a haver... economias destruidoras de coisas e negócios sustentáveis porque sim..  em nome do "pügresso"... e com fé na "destruição criativa" do professor Schumpeter... (para já destrói-se e proíbe-se favorecendo o eminente "professor pardal", depois logo se vê no que vai dar... e se der no costume trata-se com shelltox ou algo equivalente (!))... e se esse indicador de treta... o PIB... píbio para os "amigos"... pode aumentar num "paiz" à custa da destruição da economia de outro "paiz"... aumentando assim a "produtividade" desse "paiz" à custa da miséria económica do outro... ou se o predador e o parasita (aka seek-renter) económicos podem ver a sua "produtividade" assim bué muito extremamente (!) aumentada... tal como aumentada à custa de lançar a merda para o quintal do vizinho... os gurus da e-conomia financeira (!) chamam a isso "externalidades"... "internalizáveis" vendendo as coisas mais caras ao vizinho... acabando sempre o grande número de "pequenos" vizinhos por pagar a colossal "fatura"... a "bem" ou a mal... a crédito ou à bomba... se na história recente a dita "globalização" envolveu deslocalizações industriais que baixaram bué tremendamente (!) o denominador "custo dos fatores de produção" da equação da "produtividade"... o que a aumentou bué tremendamente nos "paízes bons" (!)... (e o sonho da nova e-conomia circularmente desmaterializada (!!) é agora a "produtividade" PIB/0... que vai dar infinita já já daqui a um nadinha)... se também hoje os "migrantes" continuam a servir para... com salários reais a tender para o zero negativo (!)... aumentar essa "querida" "produtividade" dos "paízes bons" que os acolhem com bué tanto "humanismo" (!)... e se tudo por fim assim é e os "queridos" governos "nacionaes" viram que era bom e positivo para as suas e-conomias... é certo e seguro que só "fascistas maus" dirão o que eu digo aqui com estas palavras doces e sedutoras (!)... mas até digo mais.. só a carneiros, burros e outras espécies domésticas irracionais de estimação (!) posso perdoar a insistência na treta da "produtividade"... e como ainda tenho algum respeito pelo jornalismo não posso desculpar a um gajo que se diz "jornalista" e responsável num jornal que fale dessa "produtividade" como se fosse coisa "pura" e boa em si mesma... será que finge? ... será que o "patrão" lhe paga para não ver?... será que não sabe que a "produtividade" calculada com base nesse indicador de treta... forjado muito antes da dita "globalização"... sendo baixa isso até pode ser muito bom e desejável para a economia?... e só por falácia repetida até à exaustão ela pode hoje dizer alguma coisa sobre a "qualidade" ou a "riqueza" de uma economia? É apenas um entre bué muitos (!)... incluindo os gurus mais eminentes da sciência e-conómica... mas será com tretas que o "sistema" quer combater mestres da treta como Ventura? Ou será que estamos mesmo mesmo quase quase todos já irremediavelmente (mal) fodidos uma vez mais de novo outra vez (!)?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Sínteses XXIX - O problema-paradoxo da moral dos "especialistas" modernos....

 ... pode ilustrar-se assim para o caso da saúde pública: Ou só obesos deviam ser especialistas em obesidade ou só obesos deviam ser impedidos de ser especialistas em obesidade.  Moral de extremos portanto.

Perguntas repelentes LXXXVII - Será que para me auto-cuidar preciso...

 ... de cuidadores que auto-cuidem de mim (!!!)?... e registem e acompanhem o meu grau de auto-cuidado?... Será que as "políticas públicas de auto-cuidado"... a aparecerem como o Ricardo deseja...vão incluir o "cheque alimentar mensal" para comprar produtos saudáveis no Celeiro, na Go Natural, na Brio e na Amor Bio... entre outras... e já agora o "cheque-ginásio" e... omnia super!... o "cheque-tempo"... calculado  com base no salário médio mensal de... 1777 € brutos (!!!) da unidade exploração .pt... para "auto-cuidado" mental...para viajar e passar férias em destinos exóticos sustentáveis (!)... para visitar lugares "energizantes" como Banguecoque... para assistir in loco a jogos da FIFA e da UEFA... e a grandes festivais e outros eventos culturais (!)... para tratar da estética indumetária e corporal... (as tatuagens relaxam imenso)... et caetera et caetera ?

Leituras do tempo DCCCIV – J'arrive...

terça-feira, 5 de maio de 2026

Leituras do tempo DCCCIII – Fausto...

 «Do gelo libertam-se rios e ribeiros,

pelo olhar vivificador e suave da primavera;
no vale verdeja a esperança da felicidade;
o velho inverno, na sua fraqueza,
retirou-se para as montanhas ásperas. [...]
Vira-te e olha, lá do alto,
para trás, para a cidade.
Da garganta oca e sombria das portas
jorra uma multidão variegada.
Todos querem hoje apanhar sol.
Celebram a ressurreição do Senhor,
pois eles próprios ressuscitaram:
dos quartos baixos de casas mesquinhas,
das cadeias do ofício e das profissões,
do aperto dos telhados e das águas-furtadas,
da opressiva angústia das ruas,
da venerável noite das igrejas,
todos eles foram trazidos para a luz. [...]
Já oiço o burburinho da aldeia,
aqui está o verdadeiro céu do povo,
satisfeitos, grandes e pequenos exclamam:
Aqui sou humano, aqui posso sê-lo!»
Fausto, Goethe 
(Trad. João Barrento)