sexta-feira, 26 de junho de 2026

Leituras do tempo DCCCXVIII – Quem tiver ouvidos que ouça...

 ... e descubra por que razão isto tem muito (para não dizer tudo) a ver com o monumental mini-conto de Jorge Luís Borges que se segue:

Do rigor na ciência

Naquele império, a arte da cartografia alcançou tal perfeição que o mapa de uma única província ocupava uma cidade inteira, e o mapa do império uma província inteira. Com o tempo, estes mapas desmedidos não bastaram e os colégios de cartógrafos levantaram um mapa do império que tinha o tamanho do império e coincidia com ele ponto por ponto. Menos dedicadas ao estudo da cartografia, as gerações seguintes decidiram que esse dilatado mapa era inútil e não sem impiedade entregaram-no às inclemências do Sol e dos invernos. Nos desertos do Oeste perduram despedaçadas ruínas do mapa habitadas por animais e por mendigos; em todo o país não há outra relíquia das disciplinas geográficas.

Jorge Luís Borges, Los Anales de Buenos Aires, 1(3), 1946

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