sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Das humanas rosas, que por arte se fazem mais formosas XX - Ao meu querido amigo André "revolucionário"..

Há cinco anos atrás numa noite na Sociedade de Fontanelas um rapaz jovem, magro, com 1,85 de altura para aí - moreno, de barba e cabelo muito escuros, bem bonito diga-se de passagem - altercava à hora de fecho com colegas que na altura estavam com ele.  Falavam de política e todos estavam já bastante bebidos. A coisa começou a dar para o empurrão e eu, que estava com o meu amigo escultor, cheguei-me a ele e resolvi abraçá-lo. Não conhecia o André nem ele a mim mas a verdade é que o meu abraço acalmou-o, e a partir de então ficámos amigos. Carinhosamente chamei-lhe "André revolucionário", e é com esse nome que o tenho ainda gravado no meu telefone. Tinha ele então 32 anos e eu, embora mais velho, já com 53, quis conhecê-lo melhor e aprender com ele. Foram cinco anos de amizade, com lições de Surf, "aulas" de pesca submarina, carpintaria e engenharia civil - o André era engenheiro civil - e longas conversas sobre tudo e mais alguma coisa, e sobre política também. Descobri um André igualmente curioso sobre mim, disposto a acompanhar-me e interessado nas minhas opiniões. Que ele às vezes achava um pouco estranhas para alguém tão cota quanto eu. Sobretudo para alguém que ele talvez achasse tão "instalado" na vida. Fechámos muitas vezes os bares e "tascas" dos nossos arredores, e um dia ele apresentou-me a namorada, uma jovem francesa muito bela também, a condizer em tudo com ele. (Não ponho o nome dela aqui obviamente). Fui a casa deles e eles vieram à nossa. Comemos juntos inúmeras vezes e eu cheguei até a "assassinar" - por má cozinha minha - dois polvos frescos que ele um dia pescou e trouxe para eu cozinhar. Tentei recompensar o "dano". Era um rapaz tímido, generoso e muito simpático. Tal como a namorada, com quem já tinha casado entretanto. Em Março deste ano (2023) tiveram um menino, e em Julho fizeram uma festa de casamento para as famílias e amigos de ambos, e para a qual nos convidaram. Fomos e foi uma noite incrível e inesquecível. Com muita dança e alegria. Ainda por cima mesmo aqui ao lado de casa. Em Agosto, depois da festa de casamento, estivemos todos cá em casa numa tarde amena de boa conversa, petisco e, como sempre, algum vinho. O André parecia porém um nadinha nervoso. Como se alguma coisa secretamente o inquietasse. Ele amava o filho e mesmo nervoso conseguia sempre adormecê-lo nos braços dele. Era uma doçura de pessoa apesar do seu corpo jovem e forte. Depois passaram duas ou três semanas e, após algumas tentativas, finalmente atendeu-me o telefone. Tinha tido um episódio de saúde que me disse tê-lo assustado, pois tivera uma espécie de ataque que o deixara inconsciente e incapaz de mover-se. Mas - disse-me - já tinha recuperado. Após termos tentado marcar mais um encontro - a culpa foi nossa porque andámos em Setembro com outras preocupações - disseram-nos que iam passar umas breves férias aos Açores e que, quando regressassem, nos ligavam. As semanas passaram e não chegaram notícias. Liguei e o telefone dele nunca estava disponível. O meu querido amigo André tinha falecido nos Açores, com um derrame cerebral, aos 37 anos de idade, e a sua querida mulher, a viver o pesadelo, nem nos conseguiu dizer nada. Só soube da terrível notícia há pouco mais de um mês, e desde então tenho andado triste e desorientado. Eu amava o André e devia ter morrido muito antes dele. Agora penso naqueles que amo - e por quem estou estupidamente apaixonado - e apetece-me morrer rapidamente, antes que algum deles me deixe ou me morra primeiro. É triste, mas  é o que ainda sinto. Até sempre meu querido André!

Leituras do tempo DLXXXV - Why do i exist?...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

O meu canal YouTube tem finalmente um nome: O Irritante!...

 ... e aturada descrição, como compete:

«O irritante é um canal como tantos outros que irritam pessoas. A maioria delas vive em grande agitação e estrésse diário e às vezes faz falta um canal punitivo, do género "Ó Diana se não comes a fruta obrigo-te a ver um vídeo do Prof. Valdemar J. Rodrigues!" ao que a criança aterrorizada reage comendo não uma mas duas ou três maçãs suculentas. Percebe-se assim que ao contrário de muitos canais irritantes O irritante pode ser extremamente útil. Os namorados podem ameaçar-se mutuamente usando O irritante: "Só vou contigo à bola se vires cinco vídeos seguidos do Prof. Valdemar J. Rodrigues!" ou "Se me amas de verdade vê agora a colecção completa de vídeos do Prof. Valdemar J. Rodrigues!". O irritante pretende ser um canal extremamente útil a todas as gerações, pois até o idoso acamado pode sempre ameaçar com o Irritante: "Ou me trazem cigarros e uma Jack Daniels Nº 7 ou ponho alto o canal do Prof. Valdemar J. Rodrigues". Um verdadeiro serviço púbico! »

Por favor visite e subscreva... um dia poderá precisar dele!

Leituras do tempo DLXXXI - With or without you...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Perguntas inconvenientes CXXXIV - A vida nas grandes cidades e a política habitacional do PS vs. do Chega...

 ... ora... se a vida nas grandes cidades está cada vez mais incomportável... desde logo por causa dos custo da habitação e das rendas de casa...

- Porque razão o partido de André Ventura não celebra o facto, ele que há 3 anos se propunha precisamente, para assegurar o povoamento do (humanamente desertificado) interior da unidade de exploração... "tornar incomportável a vida nas grandes cidades"... como pode confirmar aqui a partir do minuto 27 da entrevista?

- E se para o facto contribuíram de alguma forma as políticas habitacionais dos governos PS, porque não considera André Ventura que essas políticas foram acertadas e estão a dar "bons frutos"?

- Terá estado o PS a executar as "políticas habitacionais" do Chega, ou irá o Chega, se entretanto for governo, prosseguir as "políticas habitacionais" do PS?

Leituras do tempo DLXXX - Leitura obrigatória...

[...] Já houve tempos em que os socialistas, mesmo aqueles que não tinham especial preparação teórica, sabiam, instintivamente, o que queria dizer a liberdade que defendiam. A liberdade positiva de participar nas eleições, nos debates públicos e nas decisões coletivas, com certeza. Mas também a liberdade negativa, aquela que limita o poder do coletivo, o poder do Estado, o poder do Nós, o poder dos outros sobre o indivíduo. Aquela que se indigna com os abusos de poder estatal e que não os aceita - nem os silencia. [...]

José Sócrates
DN, 11 de Dezembro de 2023